Manifesto sobre o9
Uma das maiores dificuldades das pessoas é ter que aprender sobre tempos. Tempos de prosseguir, tempos de desistir. Tempos de ficar sozinho e tempos de andar junto. Todo ano eu faço uma lista (acho que quase todo mundo faz isso) sobre meus planos para dois mil e nove. Toda a minha empolgação estava colada na parte de trás da porta do meu guarda roupa. Todos os meus desejos e esperanças para o ano citado. Não tive muita surpresa ao pegar aquele pedaço de papel e ver que só cumpri quatro dos dez objetivos que eu coloquei ali.
Dois mil e nove foi um ano que eu fui completamente moído. Foi o ano que Deus escolheu para mostrar uma das lições mais duras que eu já tive: a paciência. Sempre fui muito ansioso com tudo o que se pode pensar. Com mulheres, com o tempo, com trabalho, etc. Esse ano que passou foi o tempo que Deus escolheu para lixar algumas das minhas quinas.
Foi triste descobrir que eu não posso confiar demais em algumas pessoas. Foi mais triste ainda descobrir que eu sou tão bobo que eu confiava em pessoas que eu conheci ontem como se fossem meus amigos de infância; contando coisas que eu não deveria, fazendo coisas que ainda não era tempo, etc. Doeu enquanto eu descobri que eu era tão idiota que esperei por pessoas que não queriam seguir em frente, e que eu não podia fazer nada a esse respeito; também, enquanto eu descobri que andava com najas ao meu lado, pensando serem elas pessoas que me ajudariam, me deu um baita baque. Fui obrigado a conviver diariamente com julgamentos sobre a minha personalidade de pessoas que nem me conheciam, apenas me viam algumas vezes e já falavam “verdades” que nem eu sabia ao meu respeito.
Sim, claro que tiveram coisas boas e eu espero me lembrar delas com mais facilidade, porque ultimamente está sendo difícil. Deus ministrou muito no meu coração sobre várias coisas, e ele sabe o que ainda falta na minha vida pra eu me recuperar de tudo. É como se você estivesse carregando uma pedra nas costas, subindo uma montanha; foi difícil chegar só até 10 metros, dos 2 km que você tinha que andar, enquanto vem outra pedra e derruba tudo aquilo que você demorou subir. Mas sabe, essa pedra ficou até mais leve depois que isso aconteceu.
Realmente, não sei o que me aguarda em dois mil e dez. E realmente, não estou tão empolgado a ponto de dizer que tudo vai ser maravilhoso. Eu quero andar mais junto, eu quero ser um amigo melhor, eu quero ser tantas coisas que eu não tenho nem noção de como começar, mas eu quero. Aprender a lição do tempo, isso vai ser difícil, pois eu já acho (no auge dos meus 20 anos de sonhos e sangue) que eu já perdi todo o tempo que eu já tinha pra perder.
Eu desejo pra você e pra mim um grande ano. Que não venhamos a repetir os mesmos erros que cometemos no ano passado, que possamos amar mais, cuidar mais e tirar essa podridão todos os dias de nós mesmos. Que a nossa fé seja a nossa certeza sobre tudo que ainda não aconteceu. Que enquanto não tivermos mais saídas, nem esperanças, e as pessoas precisarem de alguma coisa para se agarrar, possamos mostrar ela: a nossa fé! Que façamos nossos planos de morte em 2010, e não os de vida. Planos de morte como a morte do nosso ego destrutivo, do nosso orgulho idiota, da nossa auto-piedade e da nossa grande falta de sensibilidade. Essa não é uma receita, é apenas um conselho pra mim que eu precisava escrever. Se servir alguma coisa para você, sinta-se livre para me acompanhar.
E como diria o Coldplay… “viva La vida”
Em Cristo
Brenner Monteiro
