O homem, a peneira e o esgoto

Um homem que acordou sozinho em uma casa gelada. A chuva caia do lado de fora enquanto ele despertava com um bocejo gigantesco. Com o cabelo todo torto, ele pensava se poderia ser mais desgraçado. Talvez não. Talvez sim. Ele acordara sozinho em uma casa gelada.  Sozinho, digo novamente. Seus amigos não estavam lá e seus pais haviam ido pra outra cidade há algum tempo. Ele curiosamente tinha uma profissão estranha: ele peneirava esgoto. Era uma nova profissão antiga, que talvez até os seus pais tinham feito. Ele não gostava dela, mas não sabia fazer outra coisa. Ele se levantou da sua cama quente, tocou levemente o chão com os seus pés descalços  e escovou o dente. “O que eu estou fazendo da minha vida?” se perguntava ele quando estava tomando banho. Realmente, ele se sentia um lixo. Talvez se sentisse assim porque passava muito tempo com isso.

Ele procurava, no seu trabalho, coisas boas que as pessoas haviam jogado. Algumas nem eram tão boas assim, mas ele precisava daquilo. Talvez não, talvez não precisasse tanto, mas como eu disse, era a única coisa que ele sabia fazer. Peneirar esgoto.

Talvez durante os seus 7 sagrados dias, você perde seu norte constantemente. Isso acontece quando você começa a insistir em coisas que já sabe que não tem sentido e nem vai durar. Isso é peneirar esgoto. Talvez você nem goste, mas nada te afasta disso e você já faz até sem perceber. Não importa o quanto você procure, escreva, chore… Tudo o que você encontrar dali, ainda vai ser LIXO (e vai ser nojento). Talvez em alguns relacionamentos seus, você esteja fazendo isso. Acordando, sabendo que não vai dar em nada, mas mesmo assim o faz (leia relacionamentos como amizades, emprego e/ou até mesmo namoro).  Esgoto não se peneira, não se procura, não se leva pra casa. Esgoto ou é jogado fora ou é tratado para não ser mais o lugar onde as pessoas jogam o que não ás serve mais.

O medo (leia-se “fé na derrota”) de fazer as perguntas corretas pra ti mesmo, talvez seja o maior impedimento de seguir adiante. Não tenha medo de chutar o balde e partir pra outra atitude quando o fracasso é eminente. Lembre-se que Deus não tem nada a ver com o seu conceito de felicidade. Correr atrás dos seus sonhos, dos seus projetos e até do “novo” é tudo com VOCÊ. Não haja como um menino de 12 anos que perdeu o seu brinquedo e acha que nunca mais vai viver. Como diria a música “Walk on” do U2

“And if your glass heart should crack. And for a second you turn back. Oh no, be strong… walk on”

É isso… just walk on.

~ por brenbass em julho 16, 2010.

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